Pequena nota de introdução
Serve
o presente blog para objecto de estimo e de contemplação. Por aqui desfilarão
algumas das mais icónicas e belas obras de que o Homem é capaz, aglutinando
diferentes ideias, estilos e charmes. Passam-se as épocas e as vidas, tornando
a outrora sólida e forte carne numa difusa névoa de pó e cinza, memórias
apagadas pelo impetuoso passar do incessante Tempo que tudo define e molda a
seu proveito, tecendo a débil teia a que se chama vida.
Através
de uma visão que consegue aliar a perseverança da memória de feitos passados
com a constante necessidade de inovação da insaciável juventude que aspira a
glórias e episódios maiores que os já estabelecidos, se concretiza um sítio de
reflexão serena, como um antigo templo reunido do ínfimo conhecimento que a
fugaz existência permite, ao desvendar mistérios do Mundo que constantemente altera
os seus inúmeros constituintes.
Ascensões,
bodas e calvários, sonantes nomes de artistas ou doces melodias rematadas pelo
característico silêncio que se faz sentir após a contemplação de algo imensuravelmente
belo; musas que do reino dos céus se evadiram, infernos terrenos governados por
alegóricos demónios, intrigas genealógicas da Antiguidade Clássica, factos incrivelmente
ocultos pela ignorância do pesar dos séculos, ideais abandonados e negados,
pagãos perseguidos e mortos, luxuosos ambientes há muito esquecidos, qual
Babilónia que não passa de um rumor, nada mais que um mito de fortuna e desgraça;
batalhas perdidas e pedaços humanos cobrindo as planícies que almejam paz e
harmonia, graças trocadas pela vã ganância que nunca se satisfaz.
Deseja-se
que seja um espaço de prestígio e colecção artística, que aglomere uma
riquíssima gama de sensações conferidas por um acervo de qualidade
impressionante. Que seja o início de uma área de excelência para a reunião de
cultura e arte, uma perfeita conjugação das matérias que engrandecem o ser e o
definem, como a contínua busca em que se empenha o Homem, tentando superar a
mortal e efémera condição que o prende à dimensão terrena, misto do qual se
tenta irracionalmente libertar para alcançar as névoas difusas do impossível
feito da mesma substância que os celestiais firmamentos que iluminam as noites.
À
vida, efémero sopro, que merece virtude e dedicação, sempre sobre a Arte que a
define; memória de um vulto nobre, com um olhar esfíngico e intemporal, fitando
fatalmente a misteriosa face do futuro que se aproxima, vivendo soberbamente o
presente, e fazendo os impossíveis para não esquecer o nostálgico passado.
Tiago Malhó Lorga Gomes
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