quarta-feira, 1 de maio de 2013

Solidão


Solidão

 

 

Oh mares estes a que me entrego d’alma e coração

Mergulhado nestes infames e terríveis vapores

Que se contorcem e me cercam,

Apartados de todo o semblante da razão,

Combustados por fracassados desamores.

 

 

Solidão enferma que se arrasta,

Nuvem vaga e doentia.

Vê-se perto aquela entusiasta

Do desespero e do mal,

Felicidade eternamente fugidia

Da qual escapa a aura celestial.

 

 

Cantam os anjos na luz,

Todos eles ordenados e aprumados,

Louvando a glória do Mártir da Cruz,

Celebrando a existência dos afortunados

Que se deleitam com a verdadeira plenitude

E com a mísera solidão ausente,

Longe do Homem e da alma da virtude

Enganada com tal mentira demente.

 

 

Sofrida solidão,

Condenada a água e pão,

Num emocional jejum de sensações,

Reprimidas e passageiras como as estações.

Solidão desmedida,

Exagerada e intransigente.

Rígida pedra fria que se impõe vida,

Infértil de sonhos e de esplendor

Que afoga a alma em mágoa

Num pesaroso pesadelo de dor.

 

 

Solidão divina e contida,

Detestável por si,

Necessária à inspiração.

Origina a poética criação

Boémia e nua,

Que remete o ser para a sua ermida

De sonho e emoção iludida.
 
 
 
 
 
Tiago Malhó Lorga Gomes
 
 

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